Abel Camargo e Diego Kasper
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Diego Kasper e Abel Camargo a dupla de guitarristas da Hibria

 
 
Onde começa a guitarra na vida de vocês?
Diego: A guitarra entrou na minha vida quando aos 15 anos parou na minha mão uma fita K7 com Megadeth, AC/DC e Motorhead. Naquela época resolvi, com dois amigos, em uma mesa de bar na praia, que na volta a Porto Alegre teríamos aulas para montar um trio. Tive um ano de aulas de violão erudito, para só depois, aos 16, ganhar minha primeira guitarra. O trio não foi adiante, pois meus outros dois amigos desistiram de tocar, mas eu nunca mais parei de estudar e compor.
Abel: Comecei tocando violão com 12 anos, e passei para guitarra lá pelos 15,16 anos. Tenho um amigo que é baterista e, juntos, montamos nossa primeira banda e começamos a compor algumas músicas. Quando comecei a ouvir Iron e Metallica, fiquei muito a fim de ter uma guitarra e montar uma banda. A partir daí, não teve mais volta!

Quais são suas influencias?
Diego: Nossas influências são muitas, procuramos ouvir de tudo, de várias épocas. Mas o que curtimos mesmo é música veloz, precisa e agressiva! Alguns exemplos do que estamos ouvindo atualmente, e aí seguem as preferências da banda inteira:
Somos basicamente influenciados por bandas como Iron Maiden, Metallica, Megadeth, Helloween, Manowar, Black Sabbath, Judas Priest, Dream Theater. Atualmente escutamos muito Soilwork, Children of Bodom, Arch Enemy, Synergy, Rage, Blind Guardian, Dio, Primal Fear, Racer X, Grave Digger, Metallium.
Como guitarristas admiramos Chris Impelliteri, Victor Smolski, John Petrucci, Tony McAlpine, Greg Howe, Tony Iommi, Glenn Tipton. Eu adiciono aqui Steve Vai, Brian May, Marty Friedman, Jason Becker, Dave Mustaine, James Hetfield, Paul Gilbert, Richie Kotzen, Dimebag Darrel, Michael Lee Firkins, e é claro, a dupla brasileira Kiko Loureiro e Edu Ardanuy.
Baixistas: Steve Harris, Cliff Burton, Geezer Butler ...
Vocalistas: Bruce Dickinson, Dio, Mike Kiske, Andy Deris, Bob Rock.
Bateristas: Scott Travis, Mike Portnoy, Mike Terrana.
Abel: O guitarrista que eu mais admiro é o Steve Vai, que com certeza, me influenciou muito a estudar guitarra. Acho o cara extremamente versátil e criativo, sem falar na sua técnica exuberante.Tony Malcapine também teve uma grande influência no meu direcionamento como guitarrista. Além de ser um exímio guitarrista, é um excelente compositor. Procuro ouvir guitarristas que sabem colocar a sua técnica nas composições de maneira que soe música e não apenas exibicionismo. Outro cara que acho fantástico é o Dimebag Darrell. Está entre os meus favoritos. Também curto outros guitarristas como: Chris Impelliteri, Victor Smolski, Joe Satriani, Randy Roads, Zakk Wylde, Jason Becker, Greg Howe, Marty Friedman, Paul Gilbert, Tony Iommi, Glenn Tipton, John Petrucci. Esses caras também me influenciaram bastante. No que diz respeito as minhas influências de bandas, as que mais importantes foram: Metallica, Iron, Pantera, Dream Theather, Ozzy, Black Sabbath,Judas Priest, Megadeth, Racer X, Rage, Soilwork, Children of Bodom.

Qual o segredo que o guitarrista tem que ter para fazer Heavy metal?
Abel: Levar a guitarra a sério. O nível técnico de uma banda de heavy metal está cada vez mais alto, e os guitarristas são cada vez mais exigidos. Em outras palavras, estudar a ponto de conseguir passar a música que está na sua cabeça pra guitarra.
Diego: Não acho que exista propriamente um "segredo". Como já disse, acho que o Heavy Metal tem como elementos fundamentais a precisão, a velocidade e a agressividade. Tem que estudar para que, quando você estiver compondo ou se apresentando ao vivo, não deixar nenhum desses elementos de lado por falta de prática / técnica / conhecimento.

Como é a rotina diária de estudos de vocês?
Diego: Em época de shows, procuro tocar em pé e repassar em diferentes velocidades as partes mais complicadas das nossas músicas, bem como tocá-las do início ao fim para ter fluência na execução das composições.
Em época de composição, o negócio é ficar o tempo inteiro com as melodias na cabeça, tentando criar novas partes e encaixá-las com as anteriores, seja com a guitarra na mão ou não. Nessa época, costumamos nos gravar muito e ficamos experimentando com esses fragmentos.
Já em fase de gravação dos álbuns, procuro estudar as partes separadamente, tentando valorizar a expressão e a limpeza de cada uma e planejando de que modo será melhor gravar cada parte com o máximo de eficácia no menor tempo possível.
Abel: Depende muito da época (se estou estudando para uma gravação ou um show, por exemplo). No geral, tento manter todas as técnicas que eu uso em dia, além de tentar aprender coisas novas. Costumo pegar trechos de músicas e solos da banda e estudar em cima. Um dos meus métodos de estudo é tocar partes que tem mecânica parecida, a partir de uma velocidade bem lenta, para dominar bem cada um dos movimentos, e ir subindo de velocidade até o ponto que eu ainda consiga executar perfeitamente cada uma das partes de maneira precisa e limpa. Também crio exercícios específicos para me desenvolver dentro de determinadas técnicas, e não apenas repito os padrões usados nos solos.

Como vocês fazem para manter um bom entrosamento na banda e como dividem solos?
Abel: Todos são grandes amigos na banda, e isso facilita bastante o entrosamento de uma maneira geral.
Sobre a divisão dos solos, primeiro fazemos o que seria o esqueleto da música. A partir daí, vemos o que a música pede (um solo, dois solos, duetos, trios). Quando é um solo, geralmente, é de quem começou o projeto, mas isso não é regra. Tentamos equilibrar o número de solos para os dois.
Diego: A divisão dos solos ocorre de uma maneira bem natural. Como disse o Abel, normalmente o guitarrista que iniciou a composição tem pelo menos um solo na música. Quando chegamos a um ponto da música em que precisamos de um solo, simplesmente conversamos para ver quem vai ficar com aquele trecho. Ou, ao contrário, quando um de nós já tem um solo que potencialmente pode encaixar em uma música, guiamos a composição até algum ponto no qual o solo entre de forma adequada.

Quais os caminhos que as guitarras da Hibria vão tomar no seu próximo álbum?
Diego: No próximo álbum teremos mais peso e mais solos, hehehe! E, ainda que continuemos privilegiando a linha de voz, teremos arranjos mais complexos e agressivos!
Abel: As guitarras do novo álbum estão bem mais pesadas e agressivas que no DTR. O álbum é pesado do início ao fim. É porrada em cima de porrada. Creio que os arranjos estão bem mais trabalhados que no DTR.

Qual o conselho que vocês dariam para quem está começando?

Abel: Estudar guitarra, ou qualquer outro instrumento, a sério e com tesão!!! Fazer aulas com bons professores também é uma dica importante. Tive bons professores e isso me auxiliou bastante no meu desenvolvimento como músico. Fazer aula te ajuda a organizar melhor o tempo de estudo, assim como o que estudar.
Diego: Tem que estudar pra poder mandar na composição e não ser mandado por ela! Tem que ouvir estilos diferentes para poder trazer algo de novo ao seu estilo! E tem que ser perseverante!
 
Flavio Gutok
Dalton Santos