Amleto Barboni
http://www.amletobarboni.com.br/

Quais são suas influências e como a guitarra entrou na sua vida?

Fica difícil citar, são muitas e de diferentes estilos. Tudo dentro e fora da música é uma influência e acaba por moldar o meu som. No Blues
Brasileiro: André Christovam e Marcos Ottaviano são grandes influências para mim. A guitarra me chamou a atenção aos quinze anos, mas meu foco principal era a corrida de motos, pois praticava enduro na época. Apenas fui estudar o instrumento aos 21 anos por culpa do Blues.

Como você vê o blues no Brasil nos dias de hoje?

Vejo com bons olhos. Boa parte do que vem sendo produzido está com um nível maior de consciência ou um interesse mais profundo a respeito do estilo. Ao mesmo tempo sinto um pouco a falta de novas leituras com o mesmo nível de conhecimento e pesquisa. Chegar ao limite até onde você pode ir com o Blues sem transformá-lo em outra coisa, trazer variações interessantes e originais dentro da estética e principalmente, ter um público livre de preconceitos para receber isso.

Como foi o processo de gravação do seu primeiro álbum "Amleto Barboni's
Thing"?


Demorado!

Devido à participação de muitos músicos, inclusive dos EUA, tive que gravar aos poucos. Para completar uma tendinite veio me visitar. Algumas faixas foram gravadas ao vivo e outras em Overdub, mas gravando Bateria, Baixo e Guitarra ao mesmo tempo. Trabalhei com três amplificadores e uma caixa Leslie. Experimentei bastante, sem me prender a nenhuma referência, se gostava do timbre era aquilo. Não me preocupei em manter o mesmo som de guitarra no disco todo, até porque na época estava por definir a minha personalidade musical e tinha consciência disso. Apesar do seu recente lançamento (Jul/09) pela gravadora Delira Blues, ele foi gravado em 2005/2006. Foi uma ótima escola, pois é totalmente diferente de produzir o trabalho de outros músicos.

O blues é um estilo onde o "feeling" é ligado diretamente à música, existe
algum segredo para ter uma boa fluência neste estilo?


Na verdade, independente do estilo, o Feeling é importante. Ele vai dar uma interpretação pessoal à música que vai além da técnica. Na mesma medida,não pode ser o único, pois também não adianta "muito feeling" e pouca música, como tudo na vida, é uma questão de equilíbrio. Sobre a fluência, não existe segredo e não tem haver com feeling. Tudo vai depender da percepção do músico e o gosto por ouvir e pesquisar muito o Blues. Agora, realmente fazer música com isso é totalmente diferente, pois é muito fácil e cômodo você virar um papagaio contando a história dos outros. Acredito que o importante é absorver muito a linguagem a ponto de você poder contar a história com suas próprias palavras sem descaracterizar essa estética.Qual vai ser a diferença entre você e qualquer outro guitarrista conhecido de Blues? As pessoas gostarem da sua história.

Qual set up que você utiliza atualmente?

Em locais que comportem o set completo uso três amplificadores: Super Reverb 1975, Fender Bassman (ambos modificados pelo Lasco) e um Soldano Reverb O'Sonic com uma caixa 2x12 com falantes Webber. Uso um pedal ABC para escolher as combinações. Dois overdrives, Fuzz e Booster ambos com transistor de germânio, Fuzz/Oitavador com transistor de silício, Chorus, Delay, Wha. Telecaster Zaganin feita sob encomenda com dois P-90 do Jason Lollar, corpo semi-hollow de Freijó com tampo em Maple e escala de jacarandá brasileiro com mais de 60 anos e 7,25 de raio, Strato reedição 1962 e uma Danelectro 56-U3 para slide.

Dê um conselho para aqueles que ainda estão começando sua jornada.

Como tudo na vida, a perseverança, sede de saber, a sensibilidade e o respeito pelo seu trabalho, sua singularidade e na mesma proporção a dos outros, é fundamental para sua evolução. Seja em primeiro lugar um bom ser humano para fazer boa música, com alma pura e convicção do seu lugar no universo.
 
Lucas Pinheiro
Paulo André Costa