

|
Mello Jr
Você começou
seu trabalho com a música bem cedo, geralmente
quando somos muito jovens não temos ainda uma
decisão precisa sobre profissão ou carreira,
principalmente
quando se fala de música, existe
ainda um mito e um preconceito de que ser músico
não é profissão, isso aconteceu
com você, sofreu algum tipo de rejeição
quanto à escolha de ser musico?
Algumas
pessoas diziam para os meus pais que isso era uma fase,
que largaria. Muitas vezes tratavam o assunto
como fosse uma brincadeira. Mas dentro da minha casa
tive bastante apoio, e quando resolvi ser músico
profissional, meu pai só me falou que eu ia ter
que estudar muito.
Falando um pouco do preconceito, mesmo depois de anos
quando falo que sou músico posso ouvir perguntas
como se tenho uma banda, ou afirmações
como legal, mas você vive do que?
Muito preconceito.
Como
Professor você lecionou nas melhores
escolas de São Paulo , participou de oficinas
em Curitiba e ainda escreveu um livro sobre curso de
produção musical “COMO GRAVAR SE
PRIMEIRO CD”, o que isso tudo acrescentou na sua
carreira, o quanto foi valido ser professor, e como você acha
que esta a educação musical do nosso País?
Ser
educador acrescenta muito por permitir estar em contato
com as matérias constantemente, além
disso acabar descobrindo novas maneiras de enxergar determinados
assuntos com os alunos. Sobre o prazer de dar aula é muito
bom quando tenho alunos estudiosos, é ótimo
acompanhar o desenvolvimento deles e o sucesso, fico
muito contente também quando encontro pessoas
em diversos lugares no Brasil que me agradecem porque
aprenderam muito com as minhas vídeo aulas.
Falando na educação musical no Brasil.
Tem havido muita evolução, mas estamos
muito atrás em metodologia, e ensino da música
como um todo. Agora que teremos música na escola
regular, talvez encontremos o caminho. Falando especificamente
de guitarra, a cultura é de que só técnica é importante
e pouco se fala de música, harmonia, teoria, percepção.
Que são fatores imprescindíveis para atuar
profissionalmente.
Como
foi sua busca pelo seu aperfeiçoamento
musical fora do País ,o que você pode dizer
de interessante e importante pra quem tem vontade de
colocar o Pé na Estrada.
Colocar
o Pé na estrada é a melhor coisa
que se pode fazer. Faz com que entre em contato com dificuldades
reais e que tenha que desenvolver soluções
para os problemas. Isso faz com que fique mais experiente
e “malandro”. Quando morei nos Estados Unidos
em 1997, estava em um pais diferente, onde eu não
tinha amigos brasileiros, o som que estava fazendo (R&B
e Soul Funk) era algo novo pra mim, pelo menos naquele
nível , onde eu concorria com os caras que ouviram
isso a vida inteira e tocavam há mais tempo, tive
que entender qual era o espaço onde podia tocar
na música e onde tinha que tirar a mão
da guitarra . Vencer esses desafios, ter que tocar com
atitude me fizeram um músico melhor, e na verdade
eu ganhei uma semente que foi crescendo.Cada vez mais
tento tocar para a música, ter pegada e atitude
no meu som.
Você tem um carreira bem variada não
saindo do foco que é a Música , como você faz
para organizar seu tempo , sendo que grava vídeo
aula, faz workshops é Consultor
de Marketing e Negócios na Meteoro,
trabalha como músico acompanhante de vários
cantores conhecidos e ainda tem seu trabalho com a Banda?
Sobra tempo Pra estudar Guitarra?
Risos.... é muito complicado, minha rotina é estressante.
Mas é como você deve fazer se quiser ter
uma vida digna e realizar seus sonhos. Na maioria do
tempo acordo 6:20 da manhã e chego em casa por
volta das 23hs. Tento equilibrar ao máximo os
projetos musicais, as aulas que dou, as gravações
comerciais, shows e viagens onde faço meus workshops.
Muitas vezes não dá para realizar tudo,
mas vou buscando repor os eventos e distribuir para outra
semana. Acaba sobrando 1 hora e meia para estudar por
dia que pode ser sacrificada se eu tiver que aprender
algumas músicas para um show por exemplo.
Ainda tenho que correr muito para dar atenção
para a minha família.
Faço tudo com muito prazer, a música é um
caminho difícil mas o mais feliz com certeza.
E tem gente que pensa que vida de músico é fácil...
Quanto a sua carreira solo você já gravou
dois CD´s com participações de músicos
nacionais e internacionais com foi essa parceria , e
de onde vem sua inspiração ?
Na
carreira tive oportunidade de fazer muitos amigos,
isso você conquista através de um bom
trabalho e de ser uma boa pessoa alem de bom profissional.
Ter esses “amigos” de lugares diferentes
no mundo tocando juntos na minha música é um
grande presente.
Minha inspiração vem do que vivi, dos momentos
que passo ou passei, da minha esposa, de Deus. Sinto
cada vez mais que o que vivo está presente 100%
no que toco.
Como é tocar no Time Out que é uma
banda que funde vários estilos e em particular
o Fusion ao progressivo e ao Metal ?
É
um grande desafio, fazia tempo que não tocava
algo tão ousado. O som é bem complicado
porque tocamos muitos compassos mistos 9/8, 13/8, 7/4,
5/4, etc misturados a harmonias elaboradas que vem do
jazz e da música brasileira. Tenho que pensar
muito pra tocar, outro desafio foi resgatar a minha técnica
mais avançada que não vinha usando há tempos.
Resumindo: é demais
O nosso projeto demorou muito pra sair porque lançamos
um projeto multimídia, que incluiu além
do cd um dvd com vídeo aulas, playbackas das músicas,
making off do cd e uma performance de 4 músicas
ao vivo. O
que você anda escutando ultimamente?
Não tenho escutado tantos discos de guitarristas.
Escuto muito música pop: Stevie Wonder, Seal,
muita música brasileira, e claro Blues e Rock
O
que você tem a falar para os músicos
que estão iniciando agora,especialmente para os
novos Guitarristas.
Acreditem
nos seus sonhos, busquem com todas as forças
realizá-los. Pesquisem, gastem todo o seu tempo
estudando, se possível saiam pra tocar conheçam
outros músicos, e respeitem a música tocando
pra ela.
www.mellojr.com.br
www.myspace.com/timeoutproject |