JOHN HULDT

Quando a guitarra entrou na sua vida?

Eu comecei a tocar quando eu tinha 14 anos. Foi na mesma época que a onda Nirvana/grunge chegou na Suécia e eu acho que o Nirvana foi a primeira banda de que virei fã. Lembro que meu irmão ganhou o cd “Unplugged in New York” de natal, e nesse mesmo ano escute o Cd sem parar. Nós tínhamos um violão em casa (ninguém na minha famila era músico) e eu comecei a tocar. Lembro que a primeira coisa que aprendi foi “Underneath the Bridge” do Nirvana (do mesmo álbum) que eu tirei de ouvido e então um amigo me ensinou alguns acordes.

Quais foram suas influencias quando você começou a tocar?

Como disse antes, Nirvana foi o que me fez começar (e naquela época eu achava que Kurt Cobain tocasse muito haha). Logo depois eu descobri Slayer e ao mesmo tempo o Death Metal estava estourando na Suécia (onde eu cresci). Eu fiquei instantaneamente fascinado por essa coisa de extremo metal e por alguns anos tive minhas próprias bandas de death metal e eu escutava só o que era extremamente rápido e brutal praticamente. Quando eu comecei a faculdade de música (grade 10-12 na Suécia) eu conheci pessoas que estavam interessadas em todos os outros tipos de música e isso abriu muito meus olhos. Essa foi a primeira vez que ouvi Yngwie o que mexeu muito com a minha cabeça. A mesma coisa aconteceu quando eu comecei a ouvir Vai (que ainda é para mim um dos melhores) e o mesmo ao ouvir Satriani. Van Halen também teve um grande impacto, mas não por causa de seus solos ou do tapping. Eu sempre achei o Van Halen um gênio na sua forma de tocar guitarra ritmicamente.

O nome do seu primeiro Cd é "Rules do not apply", tem a ver com o jeito que você toca ?

Sim realmente é. E isso é por várias razões. Se você ouvir meu álbum, você vai ouvir que eu faço várias coisas que “supostamente” eu não deveria fazer. Eu misturo fusion com heavy metal e reggae. Eu misturo polka com folk Iraniano. A maioria das pessoas tem uma tendência a pensar mais como “uma caixa”. Se você é esse tipo de guitarrista você tem que tocar esse tipo de música e desse jeito e assim vai. Eu digo foda-se isso! Se eu quero fazer um tapping latino em uma canção west coast shred, eu vou. E se você tem algum conhecimento, você conseguirá também fazer.
Eu também sempre fiquei impressionado com caras que conseguem soar de um jeito em um segundo, e completamente diferente no próximo. Eu passei por um momento desse olhando um show do Joe Satriani a tempos atrás. Entre uns shreddy tunes, ele tocou alguns licks de blues e eu achei aquilo demais. Soou completamente como blues logo depois de ter tocado shred. Eu acho que isso foi o que me botou na direção que agora eu estou seguindo.

Qual set up que você utiliza atualmente?

Em “Rules” eu usei na maior parte do tempo minha J Gustavsson para todas as coisas de rock. Ela foi feita a mão por um cara da minha cidade natal, Malmo, Suécia. O nome dele é Johan Gustavsson.

Você tem algum segredo para sua técnica?

Risos, eu não acho que há qualquer segredo para a técnica. O que eu fiz foi que eu sempre escrevi músicas que eram difíceis demais para eu tocar. É mais ou menos isso. Eu escrevo algo que está além da minha habilidade de tocar e então eu só pratico até que eu consiga passar para os meus dedos. E é claro nada que substitua o tempo que você fica praticando. Um bom jeito de pensar é que você toca o que você pratica. Se você só pratica tocando escalas e arpejos, é muito provável que é isso que você vai tocar quando estiver compondo. Vá ao youtube e procure por “guitar solo” e você verá entre dois bilhões de exemplos disso. Para mim escalas não são necessariamente músicas então para evitar isso sempre pratique algo que vá ter alguma utilidade musical.

Dê um conselho para nossos leitores que estão começando.

Roube de onde ninguém está olhando. Acho que é extremamente comum aquelas pessoas que tem o seu guitarrista favorito e então aprendem todas as suas músicas. E quando elas escrevem suas próprias coisas, elas vão soar exatamente como seus ídolos. E isso é provavelmente o melhor jeito de se chegar a lugar nenhum como músico. Se as pessoas escutam que você sabe todas as músicas do Yngwie, elas provavelmente estão mais inclinadas a ouvir Yngwie do que qualquer outra pessoa. Por outro lado, se você encontra algum outro tipo de influencia, e tira todas as notas de suas música, todos vão pensar que você está fazendo a coisa mais original possível. Como músico, todo mundo rouba de todo mundo. O TEMPO TODO. É assim que funciona. Você pega algo que gosta, muda um pouco e pega para você. E o truque para que não o peguem... Roube de onde ninguém está olhando.

John Huldt
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