R.R.
Como
a guitarra surgiu na sua vida ?
Bom,
vou contar um pouco da minha trajetória, algumas
curiosidades e sobre alguns projetos que já participei.
Eu comecei tocando bateria na verdade, quando tinha
uns 12 ou 13 anos, quando ganhei uma bateria velha de
um amigo do meu pai. Cheguei até tocar bateria
numa banda de Thrash metal. Mas o interesse pela guitarra
era inevitável, pois minha mãe já
tocava violão, e canta muitíssimo bem
( mas ela não gosta que eu fale ...rss) nas rodas
de “cantoria” que rolava sempre nos churrascos
da família. Na mesma época que eu comecei
a tocar bateria , eu já fazia aulas de violão
com a minha prima, mas como o repertório não
era muito a minha praia, acabei mudando para uma outra
professora, que também não deu certo ..rss.
Até que parti para a guitarra, e estou ai até
hoje, lá se vão 16 anos. Comecei a lecionar
em 1997, e hoje dou aulas particulares nas cidades de
Bragança Paulista e em São Paulo capital,
além de lecionar também nas escolas CEMUSC
(Centro Musical Santa Cruz) e Fábrica da Música,
ambas em São Paulo.
Quais
são suas influencias e quem foram seus mentores?
Meus
gostos variam muito, de tempos em tempos tenho meus
preferidos atuais. Minha banda preferida é o
Dream Theater, desde 1994 quando ouvi pela primeira
vez mas apesar de hoje em dia não ser tão
ligado em tocar esse estilo. Já tentei montar
uma banda cover deles por inúmeras vezes, mas
desisti, é complicado achar componentes ..rss.
Já curti muito Yngwie Malmsteen, Joe Satriani
e Steve vai, mas atualmente meus guitarristas favoritos
são Richie Kotzen, Greg Howe, Nuno Bettencourt,
Richie Sambora, Eric Johnson, Robben Ford, John Mayer
e Dave Matthews. Ultimamente tenho escutado muitos guitarristas
que cantam, e fazem o tipo de música que não
atinge somente a músicos.
Sobre meus mentores; na mesma época que comecei
a lecionar, tive aulas no Conservatório Souza
Lima por um ano, e já em 1998 tive aulas particulares
com o Edu Ardanuy por um bom tempo, e depois passei
para o antigo IG&T que na época nem era EMT,
e continuei tendo aulas com o Ardanuy. Quando eu estava
quase para me formar, parei por um tempo, e quando voltei
me formei na primeira turma de especialização
em Rock isso já em 2002. Neste meio tempo tive
aulas com o Mozart Mello, e em 2005 tive aulas com um
cara que se tornou um mestre e amigo, o André
“Zaza” Hernandes.
No
seu myspace consta uma lista de bandas e artistas que
você tocou ou acompanhou,você considera
importante um guitarristas ser um músico versatil?
Boa
pergunta. Primeiramente, antes de falar da importância
de um músico ser versátil, ele precisa
ter a mente aberta e gostar de ouvir outros estilos.
Eu sempre tive uma certa facilidade com essas “gigs”
porque eu gosto de alguns gêneros musicais e até
alguns artistas que muitos músicos não
gostam. Vou dar um exemplo. Eu adoro a Madonna. O som
dela pode ser tosco, ela pode não ser uma grande
cantora, mas sempre fui fã do trabalho dela desde
os anos 80. Na verdade eu tive muito contato com o pop
dos anos 80 por influência da minha irmã
mais velha, então gosto de toda aquela música
da época que muita gente torce o nariz, como
A-ha, Erasure, Depeche Mode, Smiths, Michael Jackson,
Simply Red, Tears for Fears, etc. e Além de anos
80, gosto muito de Ana Carolina, Djavan, e até
Ivete Sangalo, então dessa forma para mim não
é nenhum sacrifício tocar essas músicas
que para alguns músicos pode ser um tanto chato.
Atualmente estou tocando na banda de apoio da cantora
Samara Iacono (onde revezo com a minha amiga Tati Pará)
que tem uma música bombando nas baladas e rádios
de música eletrônica (a música “Set
me Free”), e quando fui pegar o trampo, eu conhecia
e gostava de todo o repertório que é todo
de música eletrônica. Já toquei
um curto período em banda de baile, onde fazia
uns ”subs” para o Adriano Siqueira, que
além da banda de baile, tocava com a cantora
Luiza Possi, e nessa época aprendi muito tanto
com ele quanto com os outros músicos da banda,
e uma das situações mais diferentes foi
tocar um medley de música hebraica com a bateria
da escola de samba Rosas de Ouro na frente do palco,
e posso dizer que foi uma experiência única
na minha vida. Não sou um músico de baile,
e nem pretendo ser, mas aprendi muito nessa época,
e tive que tocar coisas diferentes que até então
nunca tinha ouvido. A importância de ser um músico
versátil, eu acho que é você precisa
gostar do que faz, seja ele axé, mpb, rock, metal
ou eletrônico.
Qual
set up você utiliza atualmente?
Tenho
usado uma Strato da ESP com floyd rose, humbucker e
2 singles e uma tele custom que do luthier Henry Canteri.
De amplificador uso um Mesa Boogie Subway Rocket, e
de efeitos um Boss GT3 e um wha wha Cry Baby original
da Dunlop.
Participando
de três projetos ao mesmo tempo , dando aulas
, ainda sobre tempo para dar uma estudadinha de vez
em quando ?
Se
não sobra, a gente faz brotar do chão
esse tempo ..rsss. Bom, como meus projetos são
todos diferentes eu acabo estudando de qualquer forma.
Um é a banda Electra que só toca classic
rock, no eletrônico tenho que explorar muitos
efeitos e a parte rítmica, e no meu trio instrumental
com o Rodrigo Abelha na bateria e Rodrigo Brizzi no
baixo, tenho liberdade de experimentar, e aplicar tudo
que venho estudado.
O
que você considera importante pra ser um bom músico?
Ser
mente aberta. Acho um grande defeito da grande maioria
dos músicos, é curtir apenas música
feita para músicos, e acho que ouvir outros estilos
que muitos consideram “brega” é muito
importante. Eu já fui assim um dia, e posso dizer
que hoje em dia só tenho a ganhar com isso.
Dê
um conselho para nossos leitores que estão começando
sua jornada.
Estude,
ouça os mais variados estilos, e seja determinado.
Determinação é uma das coisas mais
importantes para quem pretende ser músico profissional,
pois todos nós sabemos que vivemos altos e baixos,
e o que segura essa barra é justamente a nossa
determinação.
R.R.
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